domingo, 16 de outubro de 2011

Filmes da viagem ao Atacama

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Cataratas do Iguaçú


Cafayate
Salar Grande
Andes ao entardecer
Vado Río Putana
Por do sol no Pacífico
Paisagens incríveis nos Andes
Mendoza, a tradição do vinho
Altas Cumbres

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Impressões da viagem ao Atacama e dicas

BrasilArgentinaChile
A impressão mais marcante para mim foi constatar que o Atacama não é bonito. É seco, inóspito, árido, quente e poeirento. Por que tanta gente quer ir para lá então? Porque é surpreendente, inesperado, grandioso, mágico. Cada dia é uma descoberta nova, um contraste marcante. Pode-se ir do calor causticante ao frio cortante em alguns quilometros de viagem. Pode-se ver um vale poeirento e cheio de rochas ou um lago andino gelado e rodeado de neve. Ver ainda um salar com jeito de paisagens lunares (nunca estive na lua mas acho que parece) e Flamingos caçando sua comida na água salgada. Em cima da linha do Camino del Inca imaginar quanta história ali passou e ainda mais juntando com o Trópico de Capricórnio (meu signo), imaginar aquela linha dando volta ao mundo e passando perto de São Paulo. Os Geisers del Tatio com suas colunas de vapor e aquele frio danado (5800 m de altitude e –9 graus), que contraste, parece uma luta eterna  entre o frio e o calor que emerge das profundezas, quem vai ganhar? Quem ganha somos nós que pudemos ter o privilégio de poder estar lá e observar. E as montanhas então, este é um assunto a parte. As montanhas dominam tudo, pode-se ver o Licancabur de qualquer lugar que se esteja, não é para menos que os Incas a elegeram como sua montanha sagrada. São picos e mais picos de vulcões, a maioria extintos e alguns ativos mas sem erupções de vulto. Na região do Atacama são três cordilheiras distintas, a dos Andes, a do Sal e a Domeyko, tem montanha para todos os gostos, secas, com neve, sem neve, de todas as formas, um paraíso para os fotógrafos. Fora a criação da natureza, tem também as criações humanas, os restos da civilização Atacamenha, dos Incas, dos Espanhóis e a cidade de San Pedro de Atacama com suas ruas de comércio, bares, restaurantes, pousadas, hotéis, artesanato e agitos. Pessoas de todos os cantos do mundo parece que marcaram encontro lá, e é claro muitos brasileiros fazendo a alegria local. Muitos de moto também, vimos vários grupos e até sozinhos ou em dupla. Sem esquecer dos momentos alegres com nossos amigos Sergio e Jackson (olha o bicho) de Jaraguá do Sul, que conhecemos no Paso de Jama, foi muito divertido e inesquecível.
Mas não foi só o Atacama que curtimos. Já na saida a expectativa de como seria a viagem, que problemas teríamos, o que iríamos ver e sentir, é um sentimento muito grande e que vai diminuindo a medida em que os quilometros se acumulam. Chegamos à bela Maringá, nosso primeiro destino, sentimos o alívio de ter cumprido a primeira etapa da viagem, de agora em diante só aumentaria a expectativa de chegar ao Atacama. Também não sabíamos como andaríamos juntos na estrada pois nunca haviamos andado juntos, foi muito fácil, nos adaptamos rapidamente. Já no dia seguinte mais um desafio, a chuva, estreamos as roupas e as motos também, já ficaram sujas a partir dai, legal para sair nas fotos, dá um ar mais radical à aventura. Não pegamos mais chuva até o nosso penúltimo dia de viagem, já na volta a São Paulo. Visitamos as Cataratas do Iguaçú, sempre um momento relaxante em todas as vezes que fui, saímos de lá leves. Dai em diante a preocupação maior era com os trâmites de imigração e aduana e saber se todos os documentos que tínhamos estavam corretos e suficientes. Tudo certo, passamos a imigração do Brasil a imigração e aduana Argentinas sem problemas, compramos pesos argentinos na casa de câmbio ao lado da aduana e seguimos para Corrientes, às margens do Rio Paraná. Toda esta primeira parte da viagem as  vezes parece entediante, a paisagem rural sempre igual e as estradas intermináveis, as vezes dava muito sono. Tudo começou a mudar depois que passamos Santiago del Estero, Rio Hondo, e chegamos a Tafi del Valle e Cafayate, muitos vales montanhas, curvas desafiadoras, vinhedos, paisagens diferentes. A estrada de Cafayate para Salta é inacreditavelmente diferente, só estando lá para saber. Cafayate, um dos mais acolhedores e belos lugares que visitamos, se fosse de novo, reservaria mais um dia em Cafayate. A parrillada de cordero em Tafi del Vale também vai ficar na lembrança (né Mauro?). Saindo de Salta para Jujuy, a Ruta 9 é inesquecível e perigosa, tivemos que dirigir com muito cuidado, curvas fechadas, precipícios, pista estreita, movimento de veículos, tudo para complicar mas o lugar e as paisagens compensam, a viagem rende muito pouco. O Sergio e o Jackson disseram que fizeram este caminho a noite, não sei como, é muito difícil. Aliás, não aconselho ninguém a viajar de noite por estas estradas, só em caso de necessidade.  Seguindo o nosso roteiro original, deveríamos ir até Humahuaca e retornar para dormir em Purmamarca mas o banho de gasolina na moto e no Mauro, em Tilcara, nos desanimou um pouco, já estavamos cansados e voltamos para Purmamarca. Lugarejo simpático, para descanso, com várias pousadas e  ponto de partida para a passagem para o Chile. Ai a expectativa voltou a crescer, tinhamos pela frente a passagem da pré-cordillheira, a imigração e aduana de novo e a passagem dos Andes. Na pre-cordilheira outro desafio, tem um “caracoles” com subidas íngremes e curvas acentuadas, subimos alto, 4700 m e tínhamos a preocupação de como sentiríamos a Puna (vertigem das alturas), mas nada, não sentimos muito, eu tive uma leve dor de cabeça que passou rápido. Logo ao passarmos a pré-cordilheira, a primeira visão inesquecível, os grandes salares, ainda na Argentina. Foi inacreditável ver aqueles lagos brancos no horizonte, não sabiamos bem o que era, parecia neve mas logo vimos que eram os salares. Foi um momento único, nunca poderia imaginar estar andando de moto em cima daquele lago de sal, acho que foi um dos pontos mais marcantes da viagem. Ai veio a tão esperada passagem pelos Andes, picos, neve, gelo e frio, muito frio, a longa descida para San Pedro de Atacama, não sentimos a Puna. Foi inesquecível também a canseira que tomamos na imigração e aduana chilenas en San Pedro, um agente de imigração para atender todo mundo, afff !!! Quase duas horas para fazer tudo. Compramos pesos chilenos na casa de câmbio em frente a aduana e fomos para o hotel. Fizemos as excursões que caberiam em três dias de estada, Valle de la Luna, Valle de la Muerte, Cordillera de la Sal, Laguna Chaxa, Lagunas Miscanti e Miñiques, Geisers del Tatio, Camino del Inca, vilarejos Toconao e Tulor e Pucará de Quitor. Alguns bons restaurantes e o badalado Café Adobe. Fizemos vários contatos e novos amigos, o Celso que não parava de tirar fotos com sua câmera hi tech novinha.
Cumprido nosso principal objetivo, preparar o caminho de volta, e que volta ! Saímos do deserto, passamos por Calama e cortamos um pouco o roteiro e fomos direto para Antofagasta, muito simpática às margens do Pacífico, em seguida a tradicional foto na escultura La Mano del Desierto. Todo motociclista em viagem ao Atacama tem que tirar a foto na Mano, senão não conta. Estava muito quente, não conseguimos ficar muito tempo parados, ai o deserto é brabo.  Fomos para Tal Tal, outra surpresa agradável, tinha a idéia de que seria um lugar ruim por outros relatos que havia visto, ao chegar vimos uma cidadezinha de pescadores encravada entre o mar e as montanhas, tivemos uma ótima recepção em uma pousada simples e bem acolhedora, sentimo-nos bem, fomos caminhar a tardezinha, molhar a mão no Pacífico e jantar um congrio frito que estava ótimo, antes comemos um prato de ouriços cozidos em um pequeno restaurante, muito diferente. Cada um tem experiências diferentes em cada lugar, a nossa foi ótima e não fomos molestados ou mordidos por nenhum cachorro, acho que as nossas motos e roupas já estavam tão sujas que nem os cachorros se atreveram rs rs. Próximo destino, La Serena, balneário maior já mais perto de Santiago, percebe-se que é um lugar mais frequentado, surfistas, skate, patins e toda a agitação do pessoal mais jovem. No dia seguinte mudamos um pouco o roteiro original e antes de chegarmos a Santiago, entramos em Papudo e passamos por condomínios e mansões a beira mar, em seguida o transado point Viña del Mar e a portuária Valparaiso. Finalmente Santiago, uma das minhas cidades preferidas, rodeada pelos Andes, antiga e moderna, adoro Las Condes. Marcante foi o nosso jantar com meus amigos mexicanos Eduardo, sua esposa Liliana e a lindinha filha Miroslava. O ceviche no hotel Marriot estava delicioso, o Mauro deve ter gostado, não parou de falar mais o resto da viagem rs rs.
Bem, já era tempo de iniciarmos a nossa volta realmente. Passamos novamente pelos Andes, subimos os famosos “caracoles”, passamos os túneis. Antes da imigração e aduana, entramos no mirador do Aconcágua, não acreditava que estava vendo o pico mais alto das Américas e do hemisfério sul, 6962 m de altitude, sempre foi um sonho e um dos marcos da nossa viagem, sentimos também muito frio e falta de ar. Passamos a imigração e aduanas chilenas e argentinas que são integradas e num lugar só, do lado da Argentina. Paramos, almoçamos e visitamos El Puente del Inca e começamos a fazer a longa descida dos Andes. Rumamos para a bela e arborizada Mendoza com suas praças e com seus vinhedos e olivais centenários. Não é só fabricar vinhos e azeite de oliva, tem toda uma tradição, um verdadeiro modo de vida que influenciou toda a região. Tiramos um dia a mais em Mendoza para visitar vinícolas e fábrica de azeite, valeu a pena. Parece mesmo que eles sabem como fazer vinhos e azeite, agora quando apreciar um vinho de Mendoza ou Cafayate vou sentir de modo diferente. Córdoba a seguir, cidade industrial e pouco turística, muita agitação, confusão e dificuldade para achar o hotel. Pode ter seus atrativos mas não ficamos tempo suficiente para descobrí-los, a nossa etapa seguinte era bem puxada, 800 km até Paso de los Libres e Uruguaiana. Por este caminho passamos por Altas Cumbres, duas subidas e descidas de Cordilheira desafiadoras e belas. Tivemos o primeiro e único problema com as barreiras policiais na Argentina, felizmente pude arrumar o mal contato da minha luz de freio e fomos liberados. Já ao inicio da noite chegamos cansados à aduana, tivemos que viajar pouco mais de uma hora a noite. Tudo sem problemas novamente, tivemos que ficar perguntando o que fazer pois não explicam muito bem, sempre impera o tom autoritário nestes lugares, o mais incrível é que nos trâmites brasileiros tudo foi tranquilo e bem atendido. Passamos para Uruguaiana e finalmente estavamos no Brasil. No hotel o jantar com comida caseira já nos fez sentir bem, bife acebolado, saladinha, arroz a grega, foi bom, sentirmo-nos em casa. Aqui aproveitei um posto de gasolina que tinha um box especializado para troca de óleo de motos e troquei o óleo da minha moto, muito bem atendido, tinham todo ferramental, filtros e óleo adequado. Já havíamos passado a maior parte da nossa viagem, sem problemas aduaneiros, policiais, mecânicos, de moedas ou de hospedagem. Um pouco de problemas com o abastecimento de gasolina na Argentina, o que acrescentou um pouco de adrenalina em alguns trechos mais longos, conseguimos sempre chegar ao próximo posto, as vezes só com o cheiro da gasolina no tanque.
Agora era a vez de fazermos as etapas finais passando por Passo Fundo, outro dos meus objetivos da viagem, conhecer a terra do meu querido cunhado Martello, ele deve ter gostado, aonde quer que esteja. Eu gostei também, gente bonita, terra boa, cidade alegre, poderia se chamar Passo Alegre, fiquei realizado por ter feito nosso roteiro passar por lá, deu vontade de ficar mais. Subindo para Erechim e Concórdia, já em Santa Catarina, muito movimento na estrada em direção à Curitiba. Muito bonita também esta estrada que corta as serras gaúchas e catarinenses, valeria mais tempo por lá. Curitiba já não me pareceu aquele modelo de cidade que costumamos ver em reportagens, eu a conheci muitos, muitos anos atrás. Trânsito comum a todas as grandes cidades, chegamos na hora do rush. Não sei como vão ser estas grandes cidades daqui a mais alguns anos, intransitáveis, serão precisas medidas extremas para poder se viver nestes lugares, inevitável. Já na última perna da viagem, viemos a São Paulo pela BR 116, toda duplicada, foi um passeio, com excessão da inexplicável e induplicável Serra do Café, desde quando eu era criança ouço falar nesta duplicação, nem com a cobrança de pedágio, inclusive para motos, conseguiram duplicar, se fosse no Japão…
Já em casa a recepção da família, inesquecível, parece que todo o cansaço acumulado resolveu se manifestar naquele momento. Já pude relaxar e curtir meus filhos. Sonho realizado, missão cumprida. Agora é pensar na próxima aventura e voltar à realidade…

Algumas coisas de que me lembro e que podem ajudar:

Faça um roteiro e programação de viagem, planeje e prepare-se, tente manter sua programação, se mudar refaça o seu planejamento. Tem que ter objetivos definidos senão fica difícil enfrentar a rotina do dia a dia. As vezes é preciso determinação, objetivo e vontade para enfrentar um novo dia de estrada. Anote todas as informações que encontrar, postos de combustível, hotéis, restaurantes, atrações e passeios. Imprima e leve na viagem.

Por falar em rotina diária, tem horas que enche o s… de tirar tudo da moto, recarregar celular, recarregar filmadoras, recarregar intercomunicador e no dia seguinte refazer as malas, colocar tudo na moto de novo, ligar GPS, ligar intercomunicador, lubrificar corrente, verificar óleo, verificar pneus, ufa !!! Acho que o que mais me incomodou foi isto. É uma tralha danada para carregar. Se puder ter um top case e um jogo de malas laterais, todas com a bagagem interna removível, melhor, fica prático e rápido para desmontar e montar.

Uma das melhores coisas que levamos foi a almofada de ar Airhawk, muito boa, poupou os nossos traseiros e aliviou o cansaço da viagem.

Não sei como é fazer esta viagem no verão ou no inverno, acho que fomos no tempo ideal mas sentimos frio e calor. Acho que no inverno é impraticável, as passagens pelos Andes fecham constantemente por causa da neve. No verão acho que dá para aguentar com muita água e uma cervejinha só ao final do dia (beba com moderação), lembrando, a tolerância de álcool para conduzir moto na Argentina é zero.

Sempre procurar sair com o tanque cheio e saber onde estão as próximas paradas para abastecimento, procure, informe-se sempre. Passamos alguns sufocos na Argentina. O governo diz que não existe crise de abastecimento mas existe. Em Salta, que é uma das maiores cidades da Argentina, não havia combustível. A infraestrutura e atendimento nos postos da Argentina, pelo menos nas regiões onde passamos, é horrivel, as damas não vão conseguir usar a maioria dos banheiros, por prevenção, tenha sempre um papel higiênico e um sabonetinho. Não existe nada como Frango Assado, Lago Azul ou Graal, nem pensar.

Tenha sempre dinheiro local à mão, os pedágios no Chile e no sul do Brasil são cobrados para as motos. Nos postos as vezes não aceitam pagamento com cartões. Nos pedágios isentos na Argentina, a passagem as vezes não é bem sinalizada, as vezes pela direita, algumas vezes passamos pela esquerda na contra-mão e uma vez passamos por trás do prédio do pedágio !?

Lembrar também que os parques no Chile cobram entrada, em geral  $2500 pesos por pessoa, é preciso ter dinheiro à mão senão não se consegue entrar e perde-se o passeio.

Em Tafi del Vale, o cajero não funcionava e não consegui sacar pesos, tive que fazer câmbio no banco e demorou demais, perdemos um tempão, aliás, os bancos na Argentina estão sempre lotados, iguais aos postos de gasolina. Consegui sacar pesos no caixa eletrônico do banco de San Pedro de Atacama e também no caixa eletrônico em um banco de Córdoba, não fizemos mais câmbio para comprar pesos e já no final da viagem fomos gastando o que tínhamos em pesos, tanto no Chile como na Argentina e ficamos com poucos pesos. Melhor gastar, cada vez que se faz câmbio perde-se com as cotações desfavoráveis. Reais são mais fáceis de negociar e trocar nas fronteiras com o Brasil, em lugares mais distantes as cotações são ruins e as vezes nem trocam Reais, dólares sempre resolvem a situação.

A sinalização nas estradas argentinas é péssima, principalmente nas rotondas (rotatórias) e nos empalmes (interseções), não há indicação clara sobre direções e quilometragem, na dúvida procure se informar sempre, de preferência antes e com policiais que sempre nos atenderam de forma cordial. Leve sempre mapa em papel, GPS também ajuda mas os mapas das cidades argentinas e chilenas não são completos, usei os do Mapear.

A receptividade por onde passamos sempre foi boa e cordial no Brasil, na Argentina e no Chile, sendo estes últimos um pouco mais contidos nas suas manifestações.

Depois de um dia estafante na estrada, acredito que você tenha que ter sempre um bom ponto de apoio e descanso em um hotel que ofereça o mínimo de infraestrutura, wifi e estacionamento para as motos. Não precisam ser os mais caros, sempre há opções acessíveis. O problema é que nem sempre há disponibilidade. Já pensou viajar o dia interio e ainda chegar e ter que procurar hotel? Nem pensar. Fizemos todas as reservas antecipadamente, a maioria por internet e quando não pelos sites de reserva, pesquisava pela internet e ligava diretamente para os hoteis, nem todos estão nos sites de reservas (booking.com e decolar.com). Fiz a primeira parte das reservas até San Pedro de Atacama e depois fui fazendo o restante durante a viagem caso tivéssemos que mudar o roteiro ou as datas. Deu tudo certo, não ficamos sem hotel uma só vez.

Hotéis que utilizamos:

Maringá – Hotel Thomasi – novo, excelente, reserva-booking.com;
Foz do Iguaçú – Hotel Luz –antigo,  razoável, reserva-decolar.com;
Corrientes – La Rozada Suites – bom, no  restaurante faltavam muitos pratos, reserva-booking.com;
Termas de Rio Hondo – Hotel Habana - razoável, bem popular, não aceita cartão, reserva-booking.com, o proprietário Carlos também viaja de moto, trocamos muitas ideias;
Cafayate – Villa Vicuña Wine & Boutique Hotel, uma graça, muito caprichado, decoração esmerada, se puder fique, reserva-booking.com;
Purmamarca – Marques de Tojo, muito bom, tem várias outras pousadas ao redor, reserva-booking.com, o gerente Carlos anda muito de moto pela região, nos deu muitas dicas;
San Pedro de Atacama – Hotel Tulor – bom serviço, boas acomodações, reserva-booking.com;
Tal Tal – Hotel Mi Tampi – simples mas acolhedor, boa ducha, reserva-liguei;
La Serena – Hotel Club La Serena, razoável a bom, precisa reforma, bom restaurante, reserva-booking.com;
Santiago – Time Suites – bom atendimento, boas acomodações, reserva-liguei;
Mendoza – Condor Suites – bom atendimento, boas instalações, reserva-booking.com;
Córdoba – Howard Johnson Cañada, razoável a bom, estacionamento a parte e pago, restaurante caro para o que serve, reserva-booking.com;
Uruguaiana – Mainard Hotel, bem simples, tem uma boa comidinha caseira no restaurante, reserva-liguei;
Curitiba – Harbor Hotel Batel – excelente atendimento, boas instalações, reserva-liguei.


Em todos hotéis havia sempre garagem ou lugar para guardar as motos, com exceção de Córdoba.

Os celulares funcionaram bem na maioria dos lugares, sem muitos problemas.

Se tiver toda a documentação, as imigrações e aduanas são tranquilas, não procure demonstrar insatisfação ou reclamar, não crie caso, faça tudo com resignação e paciência e tudo dará certo. Não esqueça de tirar a carta verde (imprescindível) e se possível a carta internacional para dirigir. Nas duas únicas vezes que nos pediram nas barreiras, mostramos a carta internacional e já ficaram satisfeitos.

Para o seguro Carta Verde, utilizei minha corretora já tradicional de alguns anos, a MBS Seguros (www.mbsseguros.com.br, fone 11 3321-5583) que resolveu prontamente, fiz tudo por internet. Pode-se fazer o seguro Carta Verde mesmo para as motos que não estejam seguradas. Por via das dúvidas, fiz também um seguro de assistência em viagens Assist-Card Multitrip 30.

Custo? Não pensei muito ainda, só sei que o custo para equipar a moto com acessórios, bagagens, pneus e  também as roupas foi razoável, prepare-se. O custo da viagem em si vai depender das opções de hotel e restaurantes que fizerem. Procuramos não comer muito durante o almoço e fazer um bom café da manhã e uma refeição no jantar. A gasolina na Argentina e no Chile é mais barata e muito melhor que no Brasil, usando a premium, senti uma melhora no consumo de cerca de 25%. Os hotéis em San Pedro de Atacama são bem definidos, ou seja, caros, muito caros e os baratos que são do tipo albergue ou para mochileiros. Evidentemente não visitei nenhum outro que não fosse o que nos hospedou mas vi pessoas reclamando da estrutura, comida e atendimento dos hotéis mais baratos. Algumas pessoas aproveitavam o café da manhã geralmente servido nas excursões.

Muito cuidado com o trânsito principalmente nas estradas argentinas. Os motoristas viram à esquerda na frente de qualquer veículo, não esperam no acostamento, seja prevenido desconfie sempre. Caminhões cruzam a estrada sem preocupação com outros veículos, somente se detém se vier outro caminhão. Em uma estrada de meia pista que pegamos, cada veículo saia para o acostamento quando se deparava com outro, menos os caminhões que nos jogaram para fora da estrada umas três vezes, não estão nem ai. Vimos vários capotamentos nas estradas argentinas. Faixa dupla ninguém respeita, não serve para nada. Motociclistas não usam capacete, vimos até quatro pessoas, mãe e três crianças em uma moto, todas sem capacete. Não tire o seu capacete, ande sempre protegido também com luvas e botas. No Chile, sinal de Pare é Pare mesmo, principalmente nas ferrovias, não passe sem parar, terá problemas com os guardas. Aliás, não passe farois ou faixas de pedestres, lembre-se sempre que você é um estrangeiro e para criarem caso os policiais não precisam de muitos motivos.

As motos se comportaram muito bem, tivemos poucos problemas: o cavalete central da minha, que perdeu um dos parafusos de fixação, o eixo da dobardiça do top case que caiu, e o nível de óleo do motor da moto do Mauro que “baixou” um pouquinho. Já no final, a lâmpada do farol baixo da moto to Mauro que queimou. Dos pneus, nenhum problema, nenhum furo ou pneu vazio, tivemos que ajustar as calibragens devido às mudanças de altitude. Os pneus Tourance (normais) da Metzeller são ótimos, gostei bastante, enfrentamos asfalto, buracos,  terra, pedras e lama sem dificuldade. Os para-brisas ficaram riscados, graças ao atendimento “atencioso” nos postos da Argentina e do Chile, fazer o que? Agora as motos vão para a revisão e uma boa lavagem, acho que uma só não será suficiente.

As roupas também foram muito boas, passamos dias de calor, chuva e frio e se adaptaram bem, não ficamos molhados por dentro. Também vão precisar de umas boas lavadas. Minha esposa “adorou” ver o estado da roupa, tinha bicho, asfalto, terra, poeira, lama, gordura e mais algumas coisas não identificadas rs rs. Tem que ter luvas boas para frio, de preferência com Goretex e luvas de couro para  o calor. Usei também uma segunda pele nas mãos quando o frio era mais intenso. Não cheguei a usar a camiseta e calça de segunda pele e nem as camadas internas de aquecimento da roupa, somente usei a jaqueta de água algumas vezes.

Muitos dos outros acessórios que levei, acabei não usando, ainda bem, a maioria das ferramentas, lanterna, compressor de ar para pneus, câmaras, tanque de combustível reserva, reparador de pneus, trava de segurança e alguns dos carregadores extras com conexão para acendedor de cigarros. O SPOT funcionou muito bem, deu certa segurança às nossas famílias poderem acompanhar o nosso trajeto on line. Foi melhor ter levado e não ter usado do que precisar usar e não ter. Dos remédios, ataduras, e outras medicinas, não usamos nada, somente um tandrilax quando estava cansado e com dor no punho. Precisei comprar um spray desodorizante para a bota pois a situação estava braba depois de vários dias de uso contínuo sem limpar e arejar direito. Tomamos os remédios diários de pressão, não esquecer de levar se tiver que tomar remédios diários.

Também passamos bem de saúde e disposição, a minha preparação na academia e as caminhadas diárias do Mauro serviram para alguma coisa afinal. Sentimos cansaço é claro, sentimos a falta de ar nas altitudes maiores mas nada que nos impedisse de fazer algo ou de continuar viagem.

Procurar não levar muita roupa, lave o que puder no hotel, roupas de baixo, meias e camisetas. Sapatos e tenis ocupam muito lugar, aliás, seu tenis nunca vai voltar a ser da mesma cor depois de andar no Atacama.

Bons companheiros para a viagem ajudam bastante a enfrentar as dificuldades e compartilhar as alegrias. Acho que eu e o Mauro nos demos muito bem. Acredito que um grupo maior, com mais de quatro pessoas, seja difícil de coordenar e alinhar todos os interesses e o ritmo de viagem.

NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE O ROTEIRO:

Em Corrientes, antes de atravessar a ponte General Belgrano sobre o Rio Paraná, na avenida Pedro Ferre de acesso à ponte, as motos não podem trafegar na pista central, os guardas param as motos (só de brasileiros) e achacam na cara dura. Para evitar este evento desagradável, vá pela pista lateral. Veja no link como proceder:
http://tonaestrada.com.br/wp-content/uploads/2013/11/PonteCorrientesResistencia.jpg 

Em Corrientes também os guardas estão implicando com os GPSs nas motos, antes de passar por lá lembre-se de retirar o GPS para não ter que "contribuir" para a caixinha dos guardas, vergonha, corrupção descarada e institucionalizada.

Agora a aduana e imigração chilenas não estão mais em San Pedro de Atacama e sim junto com a Imigração e Aduana Argentina no Paso de Jama.

Existe uma pousada com restaurante e posto de gasolina 3 km depois de Susques, em direção ao Paso de Jama. Não será mais necessário fazer o abastecimento em Tilcara antes de seguir para o Paso de Jama, procure verificar antes se há gasolina nos postos.

Se for lembrando algo mais que possa ajudar, vou complementando a postagem, espero ter contribuido e ajudado aos futuros viajantes-aventureiros programarem suas viagens com segurança. Quem tiver alguma dúvida ou quiser algum esclarecimento pode me enviar um email (wlamir.panko@gmail.com).

domingo, 25 de setembro de 2011

20° e último dia - viagem Atacama - 24/09/20011 - São Paulo

Enfim o dia da última etapa de nosa viagem, já começamos a sentir falta da rotina diaria e das novas descobertas. O Harbor Hotel Batel foi excelente, boas instalações e acomodações, serviço muito atencioso e profissional, garagem coberta para as motos, bom restaurante e bom café da manhã. Saimos em direção à estrada e no caminho passamos pelo Jardim Botânico, um dos cartões postais da cidade. Entramos no parque, vimos o pessoal passeando e correndo, tiramos fotos do Palácio de Cristal, muito tranquilo e relaxante para iniciar a nossa última etapa da volta. Pegamos a BR 116 com destino à São Paulo, pista duplicada o tempo todo com excessão da Serra do Café (ou Serra da Morte) que é de pista simples. A estrada é boa mas tem alguns pontos de pista irregular. De qualquer forma a viagem rende bem. Pegamos um pouco de chuva leve depois de Registro até São Paulo, nada que impedisse que andassemos bem. Saimos as 11:00 horas de Curitiba e as 13:30 já estavamos no Posto Graal em Registro para o último abastecimento e o último almoço da viagem. Com certa tristeza fizemos a nossa despedida ali no restaurante, já antecipando o fim da viagem. Ainda, faltando uns 100 km para São Paulo, o farol baixo da moto do Mauro queimou. Paramos em um posto e eu passei a lâmpada do farol alto para o farol baixo (são iguais) e continuamos sem problemas. Antes de chegar ao final da estrada, desviei pelo Morumbi e cada um foi para sua casa sem problemas. Ao final da nossa jornada, tinhamos rodado 8658 km. No balanço geral, não tivemos problemas maiores, nem com hoteis, nem com as motos, nem com nossa saúde e disposição e nem com o relacionamento. O Mauro foi um fantástico companheiro, tive muita sorte de ter conseguido, já no final da preparação, um companheiro como o Mauro para poder dividir as dificuldades e compartilhar os bons momentos da viagem. Valeu Mauro !!! Devem vir outras aventuras por ai. Foi muito bom chegar em casa e ter a família já na garagem me recepcionando. Fiquei com a sensação de ter completado e vencido um grande desafio e de ter realizado um sonho antigo. Vou “postar” ainda um resumo de impressões e dicas que poderão ajudar outros viajantes. A quem me acompanhou até aqui, obrigado pela audiência do blog.
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

19° dia - viagem Atacama - 23/09/2011 - Curitiba

Penúltimo dia de viagem. Depois do café fomos até a praça principal de Passo Fundo para fotografar o “cuião” do prefeito. Cumprida a visita ao “cuião” partimos para a etapa da nossa última escala, Curitiba. Tomamos a RS135 que depois passa a ser BR153 e lá na frente passa a ser a BR476, é sempre a mesma estrada. Muito bonita, arborizada e a paisagem das serras gaúchas e catarinenses é linda. Serras, rios, vales e muitas cidadezinhas ao longo do caminho. Vários postos de serviço, não há problemas com o combustível. existem alguns trechos de piso irregular, pista duplicada só em sonho, só terceira faixa nas subidas e nem em todas. Muito movimento de caminhões principalmente nas regiões de Erechim e Concórdia, a viagem não rende muito. Da metade em diante pegamos uma chuva leve que sujava e embaçava as viseiras, tivemos que parar para limpar. Cruzamos 3 estados, o norte do Rio Grande do Sul, o Meio Oeste de Santa Catarina e o sul do Paraná. Na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina corre o Rio Uruguai, formando uma paisagem deslumbrante. Pode-se avistar lá de cima da serra um bom trecho do vale do rio. Passamos pela região do vale do Contestado, palco de uma revolta popular entre 1912 e 1916, episódio pouco conhecido mas que teve um amplo envolvimento de forças do governo e revoltosos. Passamos ao largo da Rota da Amizade, um conjunto de cidades turísticas com gastronomia, hospedagens, culturas e costumes diferentes. A região é linda, merecia um tempo a mais para conhecê-la, bem, temos uma desculpa agora para planejar outra viagem mais curta para a região. Chegando à Curitiba, deveríamos ir para o bairro do Batel, aonde se encontra o Harbor Suites, muito bom por sinal. A única coisa que conseguimos ver de Curitiba foi o trânsito, uma hora e meia para chegar no hotel, o GPS nos trouxe direto, desta vez funcionou bem com o mapa Garmin do Brasil. Amanhã, nossa última etapa para casa.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

18° dia - viagem Atacama - 22/09/2011 - Passo Fundo (Tchê)

Bah ! Passo Fundo Tchê, terra do meu querido e inesquecível cunhado Comandante Martello, eu queria passar por aqui no caminho de volta para conhecer a cidade.
Depois do dia de ontem, quando rodamos 800 km, hoje foi um pouco mais leve, só 550 km. O Hotel Mainardi em Uruguaiana é simples e precisa de uma boa reforma, que estão fazendo aos poucos, mas é barato e fica logo na saida da cidade, pertinho da BR 142 e tem um bom restaurante, comemos uma boa comida caseira, bife acebolado, arroz, salada bem feita, tudo muito simples mas bom. O café da manhã estava bom. Sai logo de manhã para trocar o óleo de minha moto, achei um posto Ipiranga, em Uruguaiana, que tinha um serviço expresso de troca de óleo e verificação de itens básicos da moto. Muito bem atendido e o pessoal bem treinado, cheguei e já fui atendido na hora. Além do óleo, reapertei a corrente, calibrei os pneus e lubrifiquei a corrente, pronto, tudo em ordem para mais alguns quilômetros  Saímos um pouco antes das 11 hs mas o dia rendeu bem, pegamos a BR 142 já pertinho do hotel. A estrada é de pista simples mas muito boa, não tem muito movimento e só pegamos asfalto irregular de 40 a 70 km depois de São Borja. Pouco depois de São Borja, paramos em um posto Petrobrás e fiquei impressionado com o atendimento e atenção do pessoal, juntaram algumas pessoas para ver as motos e conversar, muitos caminhoneiros. Fomos até o restaurante e não resistimos ficar sem comer um assado de ovelha, o Mauro não via a hora de comer de novo o Cordero como comemos em Tafi del Vale, não foi igual mas estava bom. Normalmente não almoçamos mas não teve jeito, ainda bem que não pesou. Recomendo a quem precisar fazer uma parada por lá, que vá neste posto logo depois de São Borja, ah, os banheiros estavam limpos e funcionando. A BR 142 passa a ser a BR 285 que vai até Passo Fundo. Este trecho todo foi muito agradável, a estrada tem paisagem rural, com muitas árvores em todas as encostas, na maior parte do tempo. O trigo estava todo plantado e verdinho, lembrei muito da Baba (minha avó) que várias vezes me contou que na Europa (Ucrânia), quando plantavam trigo e ficava tudo amarelo, o vento batia nos trigais e fazia tudo parecer um mar de ondas amarelas, era uma imagem que ela tinha de sua terra natal, eu sempre me lembro disto e fico sempre imaginando como seria. Hoje os trigais não estavam amarelos, mas verdes. A noite fomos tomar cerveja no bar Boka e comer umas mandiocas fritas. O pedaço aqui estava bem agitado, jovens nas calçadas (bebendo!) e outros passando de carro com volume de som nas alturas, acho que não tem nada a ver passear de som alto, incomoda os outros que ainda tem que ouvir o que o camarada gosta, sem contar que estão irremediavelmente perdendo a audição.
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17° dia - viagem Atacama - 21/09/2011 - Paso de los Libres/Uruguaiana

Saímos de Córdoba com destino a Paso de los Libres/Uruguaiana. Seria bem fácil, era só pegar a Ruta 19 e chegar em Santa Fé. Fácil que nada, esta ruta corta várias cidades com farois e lombadas. O trecho também é bem policiado e tem muitas obras. As vezes a pista é duplicada, as vezes de mão dupla, enfim, a parte da manhã não rendeu, chegamos em Santa Fé as 14:30 e ainda tinhamos uma boa pernada. Vimos uns dois radares móveis (a máxima é de 110) por sorte um motorista de caminhão me avisou com os faróis e eu diminui a tempo de não ser multado, gracias hermano. Paramos no posto YPF depois de San Francisco e para nossa surpresa, tudo estava limpo e arrumado, inclusive os baños, acho que foi o primeiro banheiro de estrada decente que encontramos em toda a viagem. Comemos um sanduba ali (não no banheiro) e seguimos. Em um local chamado La Curva, um pouco antes de Arroyito, a Polícia Caminera nos parou e já fui tirando os documentos, o guarda não queria ver os documentos mas sim fazer o teste de graduação alcoólica (será que temos cara de bebuns?). O policial me explicou que na Argentina todos que forem requisitados são obrigados a fazer o teste, caso haja recusa, assume-se que a pessoa está embriagada e sofre as penalidades. O policial disse-me também que para moto a graduação deve ser zero, ou seja, nenhuma gota de bebida antes de dirigir moto. Bem, passamos no teste, tanto eu como o Mauro, também, eram 10:30 da manhã. Ah, ele me disse também que a maioria dos caminhoneiros brasileiros dirige alcoolizada, hummm, ainda tive que ouvir isto. Mas, ao final, cruzando para o Brasil, constatamos que não tivemos nenhum “problema” com os policiais Argentinos ou Chilenos. Chegando à Santa Fé, que me pareceu ser uma bela cidade, esperava ver uma ponte majestosa para cruzar para Paraná, nada disso, é um tunel, fiquei esperando a ponte. Na saida de Paraná, no posto Petrobras, já para pegar a Ruta 12, dois rapazes argentinos em uma scooter vieram pedir meu capacete emprestado para poder abastecer, existe uma lei na Argentina que não permite que os postos abasteçam motos ou scooters se os condutores não estiverem com capacete, não adianta muito, quase ninguem usa capacete. Claro que não emprestei, disse-lhes que estaria ajudando-os a infringir uma lei e que poderia ser preso, ainda mais sendo estrangeiro, eles não gostaram muito e sairam resmungando (ou xingando baixinho), usa capacete seu p….. Passei um sufoco com a gasolina no trecho antes de San Jaime onde abasteci, couberam 16 litros, estava sem nadinha de gasolina, devia ter enchido antes, são longos trechos sem postos. Fizemos a imigração e aduana argentinas e a entrada no Brasil em Paso de los Libres, foi rápido, não havia muito movimento. A aduana e imigração ficam abertas 24 hs por dia. Desta vez o GPS funcionou, chegando ao Brasil, troquei de mapa e voilá, achamos o hotel Mainardi rapidinho. Jantamos lá mesmo e claro com uma cervejinha para comemorar a mais longa etapa da nossa viagem, 802 km. Sem fotos hoje, nada de interessante para registrar, a paisagem ficou monótona, só campos de plantações e criações.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

16° dia - viagem Atacama - 20/09/2011 - Córdoba

Depois de passar um dia em Mendoza só passeando de van, deu um pouco de preguiça de sair de moto e enfrentar a estrada. O hotel Condor Suites foi bom, teve um bom café da manhã e tinha estacionamento coberto para as motos no sub-solo, foi fácil montar tudo de novo. O que tem de certa forma desanimado um pouco é o ritual diário de monta e desmonta bagagens, GPS, SPOT, etc, etc, etc, e ainda tem que carregar tudo para o quarto, tirar das malas, carregar celulares, cardo, etc, etc, etc, bem, faz parte. Passamos na “gomeria” para calibrar os pneus, a maioria dos postos não tem ar disponível ou se tem, é um só calibrador e com certeza com fila. O nível de serviços nos postos é péssimo, limitam-se a colocar gasolina, quando tem, e sempre há filas, perde-se muito tempo em cada abastecimento. Andar nas cidades grandes, como em qualquer lugar, é complicado, as rotas e direções não são bem sinalizadas, como já havia comentado antes sobre as estradas e principalmente nos entroncamentos (empalmes). Não há quase sinalização, a gente só vê depois que entrou na estrada e as vezes lá para frente, se o caminho estiver errado, tem que voltar. O melhor é sempre pedir orientação aos policiais que tem nos ajudado sempre, uma simples consulta pode poupar tempo e quilometragem. Foi o que fizemos na saida de Mendoza. Paramos em uma barreira da polícia Caminera e os policiais nos orientaram para não irmos para Córdoba pela Ruta 142 até Encón e depois pela Ruta 20 até Córdoba, a área é muito desolada e havia a possibilidade de não haver combustível em Encón. Nesta conversa com os policiais, todo o grupo de uns 10 ou 12 veio ver as nossas motos e nos mostraram a BMW G650GS que eles utilizam, como se quisessem nossa aprovação. O Mauro já teve uma e disse-lhes que é ótima, ficaram satisfeitos. Perguntaram sobre nossas roupas, nossos equipamentos, queriam saber um monte de coisas, foi muito legal, trataram-nos com atenção. Enfim, nenhum problema até aquela hora com policiais. Seguimos em um bom ritmo, as estradas eram de pista dupla e com pouco movimento depois de uma certa distancia de Mendoza, deu sono. Seguimos por San Martin, La Paz, San Luís, aonde novamente pedimos orientação a policiais. Continuamos por La Toma, Concaran e Vila Dolores. Na saída de Vila Dolores, em um posto de polícia de Mendoza, havia um policial examinando só a luz de freio de todos os veículos e é claro, a minha luz de freio não estava funcionando (Murphy seu @#$%¨ &* %$#¨). O policial recolheu meus documentos e disse que precisaria fazer um “auto” e eu lhe disse que iria verificar os contatos pois não era lâmpada queimada porque as luzes da lanterna e freio são de leds. Tirei toda a bagagem e o banco e reconectei os contatos. A luz de freio do pé começou a funcionar, foi o suficiente para que ele me liberasse e ainda me desse um mapinha da região, cortesia da polícia de Mendoza, tudo bem daí para frente. Passamos então por um trecho conhecido por Altas Cumbres de serras e vales imensos, e curvas e mais curvas com pedras, óleo e areia, fizemos com cuidado, alguns carros passavam por nós com velocidade excessiva, não sei como não vimos acidentes ali. Os motoristas aqui, em geral, são muito indisciplinados e irresponsáveis, acho também porque não há guardas nas estradas, só nas barreiras, dificilmente vimos guardas. Já mais perto de Córdoba, saimos por Alta Gracia ao invés de seguirmos por Vila Carlos Paz, uma estradinha bucólica e gostosa para curtir, indicação do frentista do posto Petrobrás em Vila Dolores. Depois de toda esta mudança de rota, acredito que adicionamos inesperados 120 km, mas valeu. Enfim, chegamos a Córdoba (ou seria já São Paulo antecipadamente). Trânsito, rush, faixas de onibus e taxis, motos transitando igual aos motoboys, taxis querendo passar por cima de nós, onibus querendo passar por cima dos taxis e de nós também, me senti em casa... Uma grande dificuldade para achar o hotel Howard Johnson, para variar o GPS não ajudou, o mapa não está muito detalhado e as vezes leva para lugares próximos ao destino. Ao chegar descobrimos que não havia estacionamento no hotel, ainda tivemos que levar as motos a um quarteirão e meio e ainda pagar 40 pesos por um dia. Ainda com relação ao restaurante do hotel, que escolhemos por estarmos cansados e não querermos sair, foi caríssimo pelo que comemos e bebemos, 20 pesos por cada Heineken (pequena) e 48 pesos por um bife de chorizo muito mal assado, não recomendo o restaurante, melhor que tivessemos saido. Mas nem tudo está perdido, ainda há alguns sinais de humanidade mesmo nestas cidades tão impessoais. Um senhor, que até me pareceu bem humilde, viu que estavamos parados procurando no GPS e se ofereceu para ajudar-nos, inclusive chamou policiais que estavam por perto para nos auxiliar. Os policiais em motos também, nos acompanharam com suas luzes ligadas, por um trecho do caminho do hotel, quatro à frente e dois atrás, pareciam que estavam nos escoltando, chamamos a atenção das pessoas na avenida mais movimentada de Córdoba, parecia uma comitiva. Ainda quanto ao senhor humilde, parecia que não sabia o que fazer para nos agradar, sem interesse algum. As vezes a ajuda vem de quem menos se poderia esperar, obrigado.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

15° dia - viagem Atacama - 19/09/2011 - Mendoza

Nossa, o tempo está passando rápido demais, acho que temos que ir mais devagar… Passamos o dia na bela cidade de Mendoza, sem motos. Para não dizer que não andei de moto, levei-a para lavar em um “lavado” perto do hotel. A bichinha parecia gato que tem medo de água mas saiu quase limpinha, não deu para exigir muito. A cidade é muito diferente, ruas largas, calçadas largas e muitas, muitas árvores em todas as ruas, não vimos uma só rua sem árvores. Praças encontram-se aos montes, uma maior que a outra, crianças brincando a noite nas praças (igual São Paulo), pessoas passeando a pé sem serem incomodadas (igual São Paulo), parece muito tranquilo (igual São Paulo). Não dá para comparar muito, Mendoza tem cerca de 500 mil habitantes, mesmo assim, o tamanho de São Paulo não é justificativa para sua intolerância e violência. Tudo aqui gira em torno do vinho, são muitas fincas e bodegas ao redor. Almoçamos umas empanadas, só para variar um pouco e depois fizemos um passeio a tarde e fomos primeiro em uma produtora de azeite de oliva, são muitas também, a azeitona comida direto do pé, é horrível, amarga. Bonito foi ver as oliveiras centenárias, com mais de cem anos, podem produzir até os 400. Depois fomos na vinícola Vistandes que é uma vinícola moderna com boa infraestrutura para receber os turistas. Em seguida fomos a uma vinícola que produz vinhos orgânicos, a Familia Cecchin. Muito interessante ver a diferença entre as duas. Ao final fomos à loja de bebidas e doces" “A la Antiga” aonde provamos bebidas especiais como absinto, não tivemos coragem de tomar, a graduação era 73%, quase um Zulu. Terminamos o dia com um minestrone e uma massa no Francesco, muito bom. Amanhã, rumo à Córdoba.
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domingo, 18 de setembro de 2011

14° dia - viagem Atacama - 18/09/2011 - Aconcágua/Mendoza

Hoje é o dia nacional do Chile, muitas festas e comemorações em todos os lugares, infelizmente não pudemos ficar para as “ramadas”. Começamos o dia com um bom café da manhã, um pouquinho mais tarde, afinal teríamos só 365 km para rodar. O hotel Time Suites foi bom, cumpriu o papel. Achamos facilmente o caminho para Los Andes e para a Ruta 60 que é a que faz a subida dos Andes e passa pelo Paso de los Libertadores. Na Argentina passa a ser a Ruta 7 que leva até Mendoza. Foi uma emoção passar pelos Andes subindo os “caracoles”, não via a hora de passar por lá, foi incrível, muita curva fechada e muito óleo derramado na pista, passar em uma poça daquelas é chão na certa, fizemos os “caracoles” com muito cuidado. A paisagem era envolvente, a gente se sente engolido por aquelas altas montanhas. A visão do Aconcágua foi para mim uma realização, nem sei quanto tempo imaginei ver o monte assim, de perto, parece que se torna um marco na nossa vida, eu vi o pico mais alto das Américas, parece bobagem mas só estando lá para ver a grandiosidade da natureza. O frio estava intenso, as mãos congelando. Passamos por Portillo e vimos os esquiadores subindo nos teleféricos, havia um pouco de neve ainda no lado Chileno. Passamos também pela Puente del Inca, uma formação natural feita por um rio e que forma uma espécie de ponte rochosa, interessante. A aduana e imigração chilenas são do lado Argentino, integradas com a imigração e aduana Argentinas, não sabia disto e fiquei um pouco confuso tentando entender aonde estava a aduana chilena para fazer a saida do país. Foi fácil, não demorou muito, o processo é um pouco confuso, pedem papeis, carimbam, pedem papeis de novo, vistoriam, pedem de novo papeis, ufa!!! Tem-se que entregar um controle de tráfego (um papel simples que ficou cheio de carimbos) que entregam em uma barreira antes da aduana e cobram em outra barreira lá embaixo. A educação e a cordialidade poderiam ser um pouco melhores, afinal é como se estivessem abrindo a porta de sua casa para visitas, bem com aquele frio é dificil ficar alegre o tempo todo. Já no trecho final da descida e no planalto que leva à Mendoza, o vento é muito forte, tivemos que diminuir a velocidade várias vezes para evitar surpresas. Tive que abrir algumas curvas pois o vento jogava a moto para fora. Sempre a tarde venta muito. Na passagem, são muitos túneis e contenções de neve, estreitos, não dá para facilitar, tem que trafegar com cuidado. Finalmente Mendoza, amanhã vamos  a algumas vinícolas, ebaaa.
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13° dia - viagem Atacama - 17/09/2011 - Santiago

O hotel Club La Serena foi razoável, o atendimento um pouco falho e o hotel precisando de uma boa reforma, serviu ao propósito de passarmos a noite para seguirmos viagem no dia seguinte. Saímos de La Serena com o objetivo de chegarmos a Santiago um pouco mais cedo e descansarmos um pouco mas algumas mudanças no roteiro esticaram um pouco a viagem. Pegamos a Ruta 5 de La Serena para Santiago e a surpresa foi que esta Ruta está toda duplicada neste trecho, conseguimos andar bem e sem os problemas de ultrapassar veículos. No caminho, muito vento, e forte, as vezes jogava a moto para o lado com força, tinhamos que estar sempre atentos. A paisagem, quase sempre a mesma, montanha de um lado e mar do outro só que com um pouco mais de vegetação Não é a toa que o caminho está cheio de parques eóleos, uma visão fantástica, parece coisa de outro planeta (se é que alguem já viu isto em outro planeta!!!). Em uma parada na estrada, encontramos um casal de espanhóis, já de certa idade, também de moto. Estavam há um mes e meio viajando pelas Américas. A uns setenta quilometros de La Serena, surge o primeiro pedágio, da estrada e da viagem. A medida em que se vai avizinhando de Santiago, os pedágios aumentam em trechos cada vez menores, é bom ter sempre pesos a mão. Já mais perto de Santiago, mudamos o roteiro e seguimos para Papudo, para fazer a rota pelas praias por recomendação de um casal chileno que conhecemos no Atacama. Passamos por Papudo, Zapallár, Concon, Viña del Mar e Valparaiso. É o recanto badalado que o pessoal procura nos fins de semana, feriados e temporada. As praias não parecem ser boas para banho de mar e outras atividades de praia. São pequenas, com pedras, areia escura e água gelada, mesmo assim havia muita gente na praia. Amanhã é a celebração do dia nacional do Chile e Segunda-feira é feriado. Viña del Mar me pareceu um lugar mais atraente, os outros lugares são recantos de casas e condomínios e Valparaiso uma cidade portuária. Passando então por Valparaiso, pegamos a Ruta 68 que é uma auto-estrada que leva direto a Santiago. Ao chegarmos, conseguimos ir direto à região de Las Condes, uma área moderna e bonita, com ruas arborizadas e prédios novos. Creio que seja uma das melhores áreas de Santiago senão a melhor. De novo o GPS deu canseira e nos mandou para outro lugar, identificou outra rua com nome parecido. Depois de apelarmos para os motoristas de taxi, um deles até nos acompanhou por um tempo, conseguimos finalmente chegar. Novamente o ritual de tirar as coisas da moto, fomos para os quartos e chamei o meu amigo mexicano que mora aqui, o Eduardo. Combinamos um jantar no Marriot aonde estavam também a esposa do Eduardo a Liliana e a filhinha Miroslava, linda. A princípio a Miroslava deveria estar dormindo mas pela primeira vez ficou acordada até tarde, parecia que queria nos conhecer (será mesmo?). Comemos finalmente um ceviche delicioso, acho que o Mauro gostou, não sobrou nenhum pedacinho…
Ainda hoje preciso fazer as reservas para os hotéis seguintes, ai ai, blogueiro não pode ter sono.
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